
Minha experiência no digital: entre tentativas, frustrações e um novo olhar
Se alguém me perguntasse por que comecei a procurar oportunidades na internet, eu responderia com sinceridade: eu precisava ganhar dinheiro.
Não tinha um grande plano, não sabia exatamente onde queria chegar e nem imaginava que um dia teria um site como o Fase Plena.
O que eu tinha era uma preocupação real com as contas e uma vontade enorme de encontrar uma saída.
Depois da pandemia, a vida apertou. As despesas foram se acumulando, e eu precisava encontrar uma forma de melhorar minha situação financeira. Foi nesse momento que comecei a olhar para o mundo digital.
Via histórias de pessoas que tinham conseguido mudar de vida trabalhando pela internet e pensava: “Se elas conseguiram, talvez eu também consiga.”
Eu só não sabia muito bem por onde começar.
Quando a necessidade faz qualquer oportunidade parecer uma saída
Quem já olhou para as contas sem saber como vai pagar sabe como essa preocupação ocupa espaço na cabeça.
Você acorda pensando no que precisa resolver. Trabalha, faz contas, tenta se organizar e, mesmo assim, sente que falta alguma coisa.
Nesse momento, uma promessa de renda extra parece uma porta aberta. Uma possibilidade de respirar um pouco.
Foi assim que entrei no digital: procurando uma solução para uma necessidade que era concreta.
E quero deixar isso claro porque, durante um tempo, eu mesma me julguei por ter começado dessa forma. Hoje não acho errado querer ganhar dinheiro com o próprio trabalho. Eu precisava dele, como tantas mulheres precisam.
A dificuldade foi tentar encontrar essa solução no meio da pressa, sem compreender direito o que cada oportunidade exigia e sem saber se aquele caminho combinava comigo.
Tudo o que tentei até aqui
Fui experimentando o que aparecia.
Pesquisas pagas, joguinhos que prometiam algum retorno por assistir a anúncios, curso de marketing digital, trabalho como digitadora freelancer, ferramentas de inteligência artificial e, mais tarde, o mercado de afiliados.
Também comecei um blog, mesmo sem saber muito bem o que queria dizer ali.
Para quem também está pensando em explorar as possibilidades da internet, o portal Cate, da Prefeitura de São Paulo, reúne algumas dicas para começar a divulgar um negócio no ambiente digital. É um ponto de partida para conhecer caminhos e pensar no que faz sentido para você.
Cada tentativa vinha acompanhada de uma esperança: talvez agora fosse dar certo. Talvez essa fosse a oportunidade que eu ainda não tinha encontrado.
Mas o retorno financeiro não aconteceu da forma que eu esperava — nem na velocidade de que eu precisava.
Algumas coisas exigiam muito tempo para um resultado pequeno. Outras pareciam fazer sentido quando eu assistia às explicações, mas, na hora de colocar em prática, eu me sentia perdida.
E havia também aquilo que eu começava cheia de expectativa e depois percebia que não combinava comigo.
Não foi uma única tentativa frustrada. Foram várias. E, quando isso se repete, não é só a estratégia que a gente começa a questionar.
A gente começa a questionar a própria capacidade.

A frustração de parecer estar sempre começando
O mais difícil não era apenas ver que o dinheiro não tinha entrado.
Era sentir que eu dedicava tempo e energia, tentava aprender, procurava fazer o que estava sendo ensinado e, ainda assim, parecia continuar no mesmo lugar.
Enquanto isso, eu via pessoas compartilhando resultados. Algumas mostravam uma rotina tão organizada e um caminho tão claro que eu me perguntava por que, comigo, tudo parecia tão complicado.
Será que eu não estava me esforçando o suficiente? Será que estava fazendo tudo errado? Será que tinha alguma coisa em mim que impedia aquilo de funcionar?
A internet pode aproximar e ensinar muita coisa. Mas também facilita a comparação com uma parte da vida dos outros que nem sempre mostra as dúvidas, os custos e as dificuldades que existiram pelo caminho.
Eu olhava para o resultado que alguém mostrava e comparava com a minha tentativa ainda no começo. Essa comparação não me ajudava a entender o que eu precisava fazer. Só aumentava a sensação de que eu estava atrasada.
Com o tempo, fui percebendo o quanto isso me cansava.
A vida não parou enquanto eu procurava respostas
Todas essas tentativas aconteceram enquanto eu também vivia outras questões importantes.
Sou fisioterapeuta e conheço a instabilidade que pode existir na vida de quem trabalha por conta própria. Sou mãe, e minha filha sempre fez parte das minhas preocupações e decisões.
Também passei pelo câncer de mama, pela menopausa, por mudanças nos relacionamentos e por dificuldades financeiras. Foram experiências diferentes, que mexeram comigo de maneiras diferentes.
Não havia uma parte da minha vida separada e tranquila, esperando eu resolver o trabalho para depois começar a sentir o resto.
Às vezes, eu estava tentando entender uma ferramenta nova enquanto lidava com medo, cansaço ou com uma preocupação que não dava para simplesmente fechar junto com a tela do computador.
Por muito tempo, olhei para tudo isso como uma lista de coisas que precisavam ser resolvidas.
Hoje consigo perceber que também era a minha vida acontecendo. Uma vida que não seguia o planejamento que eu imaginava e que me convidava, em muitos momentos, a rever o caminho.
Isso não faz com que as dificuldades tenham sido fáceis ou necessárias. Mas me ajuda a olhar com mais carinho para a mulher que estava tentando dar conta de tudo aquilo.
Recomeçar depois dos 40 nem sempre parece um recomeço bonito
Quando falamos em recomeço, é comum imaginar uma decisão cheia de certeza: a mulher entende o que quer, deixa tudo para trás e segue em frente.
Na minha experiência, não foi assim.
Muitas vezes, recomeçar significou tentar uma coisa sem saber se funcionaria. Significou mudar de ideia, perceber que eu não tinha todas as respostas e lidar com a vontade de desistir.
Também significou reconhecer que eu ainda tinha necessidade de retorno financeiro. A busca por um trabalho com sentido não apagou as contas nem resolveu minhas preocupações.
Talvez essa seja uma parte importante da conversa: querer construir algo que tenha significado e querer ganhar dinheiro podem existir juntos.
O que comecei a questionar foi se qualquer caminho serviria para mim apenas porque prometia um resultado.
Aos poucos, fui entendendo que eu queria encontrar uma forma de trabalhar que também tivesse relação com quem sou, com o que vivi e com aquilo em que acredito.
Essa clareza não veio de uma vez. Foi aparecendo no meio das tentativas, inclusive daquelas que não deram certo.
O que começou a mudar no meu olhar
Em algum momento, passei a me fazer perguntas diferentes.
Em vez de perguntar apenas “o que pode dar dinheiro?”, comecei a perguntar também:
“O que eu tenho para compartilhar?”
Não era uma pergunta fácil. Durante muito tempo, tive dificuldade de reconhecer o valor da minha história e da minha experiência como profissional e como mulher.
Parecia que eu sempre precisava estudar mais, saber mais ou estar mais preparada antes de poder dizer alguma coisa.
Mas eu já tinha vivido muita coisa. Já havia acompanhado outras mulheres como fisioterapeuta. Já tinha atravessado situações que me fizeram questionar minha relação com o corpo, com a saúde e com os caminhos que escolhi.
Eu não precisava ter uma vida perfeita para falar sobre essas experiências. Precisava ter cuidado com o que compartilhava, ser honesta sobre o que ainda estava aprendendo e respeitar o fato de que cada mulher tem sua própria história.
Essa mudança não transformou minhas tentativas anteriores em um sucesso financeiro. Também não fez desaparecer a frustração que senti.
Mas me ajudou a perceber que eu poderia construir uma relação diferente com o que escolhia fazer daqui para a frente.
Por que decidi continuar
Houve momentos em que me perguntei se não seria melhor abandonar tudo.
Afinal, insistir em algo que ainda não trouxe o retorno esperado cansa. E eu não queria continuar apenas porque já tinha investido tempo.
Ao mesmo tempo, percebi que ainda gostava da possibilidade de criar um espaço para conversar com outras mulheres.
Gosto de escrever sobre perguntas que também faço a mim mesma. Gosto da ideia de reunir informação e experiência, de falar sobre o que muda no corpo sem esquecer que existe uma mulher vivendo aquela mudança.
E gosto de pensar que uma história contada com sinceridade pode fazer alguém se sentir menos sozinha — não porque ofereça todas as respostas, mas porque abre uma conversa.
Isso me deu vontade de continuar. Não com a certeza de que tenho tudo resolvido, e sim com mais clareza sobre o que quero construir.

Como nasceu o Fase Plena
Antes do Fase Plena, existiu o Viva Serena. Foi um espaço importante nessa trajetória e também fez parte das minhas tentativas de encontrar uma forma de me expressar na internet.
Com o tempo, comecei a perceber que queria reunir meus conteúdos sob uma proposta que representasse melhor o momento que estou vivendo e as mulheres com quem desejo conversar.
Foi assim que nasceu o Fase Plena.
Um espaço para falar sobre menopausa, saúde, autocuidado, relacionamentos, espiritualidade e recomeços depois dos 40.
São assuntos que não escolhi apenas porque parecem interessantes. Eles atravessam minha própria história.
Passei pelo câncer de mama, estou na menopausa, sou fisioterapeuta, mãe e uma mulher que continua aprendendo a se reconhecer depois de tantas mudanças. Minha fé e minhas perguntas sobre o sentido da vida também fazem parte de quem sou.
Quero levar tudo isso para o que escrevo, com responsabilidade e sem fingir que tenho respostas prontas para todas as mulheres.
Quando o assunto pede informação de saúde, quero buscar fontes confiáveis. Quando compartilho uma experiência ou uma reflexão espiritual, quero deixá-la no lugar que ela ocupa: o da minha vivência.
Porque uma mulher pode encontrar acolhimento na história de outra sem precisar viver a mesma coisa ou concordar com todas as suas conclusões.
O Fase Plena não nasceu de uma vida pronta
Às vezes, pensamos que só podemos começar um projeto quando a vida estiver organizada.
Quando as contas estiverem em dia. Quando tivermos estudado o suficiente. Quando a autoestima estiver melhor. Quando soubermos exatamente onde estaremos daqui a cinco anos.
Eu também já pensei assim.
Mas, se eu esperasse ter todas as respostas, talvez continuasse adiando.
O Fase Plena nasce enquanto eu ainda estou construindo meu próprio caminho. Ainda existem dúvidas, preocupações e coisas que quero melhorar.
O que existe agora é uma vontade mais clara de criar um lugar onde outras mulheres possam encontrar informação e reflexão sem sentir que precisam estar bem o tempo inteiro.
Um espaço para conversar sobre as mudanças do corpo, sobre as relações, sobre a fé, sobre o cansaço e também sobre as possibilidades que continuam existindo.
Não porque exista uma forma certa de viver depois dos 40. Mas porque cada uma merece encontrar espaço para compreender a fase em que está.
Se você também está tentando recomeçar
Talvez sua história não tenha nada a ver com criar um site ou trabalhar na internet.
Talvez o seu recomeço esteja relacionado a um emprego, ao fim de um relacionamento, à saúde ou a uma vontade antiga que você ainda não sabe como colocar em prática.
Seja qual for a situação, eu sei como pode ser cansativo sentir que precisamos descobrir tudo rapidamente.
Não tenho uma fórmula para oferecer. Mas há perguntas que têm me ajudado a olhar com mais honestidade para as minhas escolhas:
- O que estou procurando neste momento?
- Que necessidade é urgente e precisa de atenção?
- O que faz sentido para mim, além do que parece funcionar para outras pessoas?
- Qual é o próximo passo que consigo experimentar com os recursos que tenho hoje?
Nem sempre as respostas virão juntas. Às vezes, uma delas já ajuda a dar mais clareza para o próximo movimento.
E mudar de ideia depois de uma tentativa não precisa ser motivo de vergonha. Pode ser uma forma de reconhecer melhor o que você precisa.
Continuar, agora com um novo olhar
Minha entrada no digital começou com uma necessidade financeira. Isso faz parte da história e não preciso apagar.
As frustrações também fazem parte. Houve tempo investido, expectativas que não se cumpriram e muitos momentos de dúvida.
Mas, olhando para tudo isso hoje, consigo perceber que as tentativas foram me ajudando a compreender o que eu queria criar.
O Fase Plena nasceu desse caminho: da minha vontade de reunir conhecimento, experiência e perguntas que acompanham tantas mulheres nessa fase da vida.
Ainda estou aprendendo. Ainda quero que esse projeto cresça e, sim, também desejo que ele possa trazer retorno financeiro.
Mas quero construí-lo de um jeito que faça sentido para mim e que ofereça algo de valor para quem chega até aqui.
Se você quiser conhecer um pouco mais dessa caminhada, também compartilho uma parte dela no artigo O dia em que percebi que estava vivendo longe de mim mesma.
E, se o que você está buscando hoje é um momento para olhar para si com mais atenção, preparei um guia gratuito de reconexão e autocuidado, disponível aqui no Fase Plena.
Ainda não tenho todas as respostas. Mas, pela primeira vez em muito tempo, sinto que estou dando espaço para perguntas que também são minhas.
E você? Já começou alguma coisa por necessidade e, no caminho, descobriu algo que queria construir de outra maneira?
