FASE PLENA

“A vida muda. Você também. E ainda há muito por viver.” – Um espaço para compreender o que você vive, se reencontrar e descobrir os caminhos que ainda podem existir.

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Relacionamentos & Recomeços

Clubes do livro na maturidade: encontros que começam pela leitura

Eu gosto de ler, mas nunca participei de um clube do livro. O que despertou minha curiosidade foi uma matéria sobre pessoas que se juntavam num parque para ler. Cada uma levava seu livro, escolhia um lugar para sentar ou deitar e ficava ali, lendo na companhia das outras. Em outra matéria, lembro de uma cena que também achei interessante: gente lendo num bar, sem conversar, enquanto tocava jazz ao vivo.

O que me chamou a atenção nessas duas ideias foi a possibilidade de estar com outras pessoas sem precisar puxar assunto o tempo todo. Eu costumava pensar em clube do livro como um grupo que lê a mesma obra e se reúne para discutir. Mas e se o encontro começar de um jeito mais simples, com cada pessoa abrindo o livro que trouxe?

Se você quer experimentar a leitura em grupo, pode começar pelo formato que combina com a sua rotina: uma conversa mensal sobre o mesmo livro, meia hora de leitura em silêncio ou uma troca de impressões por mensagem. Vale pensar no que faria você querer voltar, em vez de escolher o encontro que parece mais completo no papel.

Todo clube do livro precisa ler a mesma obra?

No formato mais conhecido, o grupo combina um título e uma data para conversar. A graça está em ouvir o que outras pessoas perceberam nas mesmas páginas. Uma personagem que te irritou pode ter despertado simpatia em outra leitora. Um detalhe que passou despercebido para você pode mudar a maneira como enxerga o final.

É um bom formato para quem gosta de discutir histórias, mas ele exige algum tempo de leitura antes do encontro. Se terminar um romance por mês parece difícil agora, dá para procurar um grupo que leia por capítulos ou que trabalhe com textos curtos. Um conto pode render uma conversa inteira. E, se você gosta de biografias, suspense ou ficção histórica, pode buscar um grupo com esse interesse em comum. Não precisa escolher um livro sobre a maturidade só porque você está vivendo essa fase.

Também existem encontros em que cada pessoa traz o que já está lendo. O Silent Book Club, por exemplo, reúne leitores sem uma obra obrigatória e reserva parte do encontro para a leitura em silêncio. Dependendo do grupo, pode haver um momento para conversar antes ou depois. Você pode chegar com um romance começado, abrir na página em que parou e passar um tempo ali, em companhia.

Ler junto também pode ser ficar em silêncio

Mulher de óculos faz anotações ao lado de um livro aberto em um parque, com outras leitoras ao fundo.

A ideia do parque que me chamou a atenção já ganhou formas diferentes. Em Nova York, o Reading Rhythms organizou uma edição ao ar livre no McCarren Park, convidando as pessoas a levarem o próprio livro e uma manta. Em uma edição em Toronto, a programação juntou leitura silenciosa, música ao vivo e momentos de conversa. São exemplos de encontros que já aconteceram, e ajudam a imaginar o que dá para fazer em outros lugares.

E não é preciso olhar só para fora do Brasil para encontrar gente lendo em companhia. Em São Paulo, o projeto Leitura no Parque reúne leitores ao ar livre no Ibirapuera. Em agosto de 2026, o grupo celebrou um ano com um encontro sobre A Sóis, de Marta Picchioni. Já o Rolê dos Livros propõe outro jeito de se reunir: cada pessoa leva o livro que quiser, e o encontro alterna leitura em silêncio e conversa. Gosto de ver como a mesma ideia pode tomar formas diferentes: às vezes o que reúne as pessoas é uma história em comum; às vezes, é só a vontade de abrir um livro e ler em companhia.

Se eu fosse experimentar a ideia do parque, pensaria primeiro num lugar com sombra e bancos. A manta pode ser gostosa para quem prefere ficar na grama, mas ninguém precisa sentar no chão para participar. E, se a ideia for reunir pessoas em um café, vale descobrir se há um horário tranquilo em que o grupo possa ficar à vontade. Música ao vivo pode ser parte do convite, como na cena de que me lembro, mas também pode atrapalhar quem precisa de silêncio para se concentrar. Combinar isso antes ajuda cada pessoa a escolher se aquele encontro é para ela.

Gosto de imaginar a liberdade de chegar, cumprimentar quem estiver ali e abrir meu livro. Se surgir conversa depois, ótimo. E, se naquele dia eu só quiser ler, isso já faz parte do encontro.

Como encontrar um clube de leitura perto de você

Comece por lugares que você já consegue incluir no seu caminho. Uma biblioteca municipal, uma livraria de bairro, um centro cultural ou uma unidade do Sesc podem ter programação própria ou saber de grupos da região. Na internet, experimente pesquisar “clube de leitura + nome da cidade”, “roda literária + nome do bairro” ou “leitura silenciosa + nome da cidade”. Se encontrar uma publicação antiga, pergunte se o grupo ainda se reúne antes de se deslocar.

Como referência brasileira, a página do Clube de Leitura Próxima Página, do Sesc Consolação mostra um exemplo de proposta com foco em obras que valorizam mulheres como autoras e personagens. Ao pesquisar na sua região, veja a programação da unidade e confira se há uma edição com inscrições abertas.

Antes de ir, vale confirmar o que pode fazer diferença para você: quanto custa, quanto tempo dura, como conseguir o livro e se dá para ir mesmo sem terminar a leitura. Se precisar, pergunte também sobre acesso ao local, disponibilidade de assentos e transporte na hora de voltar. São detalhes que podem pesar mais na decisão do que o título escolhido.

Se estiver insegura por não conhecer ninguém, você pode avisar que é sua primeira vez e perguntar como funciona a chegada. Em um encontro de discussão, levar uma passagem marcada já é suficiente para começar, caso queira falar. E você pode descobrir que prefere ouvir no primeiro dia.

Se sair de casa for difícil, o encontro pode acontecer de outro jeito

Mulher com um livro aberto participa de uma videochamada com três leitoras.

Nem sempre o problema é falta de vontade. Às vezes, o único horário disponível é tarde da noite, o deslocamento toma mais tempo que o encontro ou as amigas que topam ler com você moram longe. Uma chamada de quarenta minutos, com dia de começo e fim combinados, pode ser mais fácil de encaixar do que uma reunião presencial toda semana.

Se nem a chamada couber na agenda, experimente um grupo por mensagens. Vocês podem ler o mesmo conto e combinar que os comentários ficam abertos de sexta a domingo. Cada uma escreve ou manda um áudio quando puder. Para a conversa não se perder, uma pessoa pode lançar uma pergunta simples: “Qual cena ficou com você?” Se houver revelações sobre o final, vale avisar antes da mensagem.

Também dá para juntar pessoas com ritmos diferentes. Uma leitora pode preferir a versão impressa; outra, o audiolivro; outra pode precisar aumentar a fonte no celular. Quando houver uma obra em comum, conversem sobre como cada uma vai ter acesso a ela antes de fechar a escolha. Um livro ótimo que ninguém consegue pegar emprestado ou comprar sem apertar o orçamento talvez possa ficar para outra ocasião.

Como organizar um primeiro encontro sem complicar

Se você não encontrou um grupo com a sua cara, não precisa decidir agora se vai criar um clube para o ano inteiro. Comece com um encontro só. Convide duas ou três pessoas, marque uma hora para terminar e escolha uma proposta que todo mundo entenda.

Para testar a leitura silenciosa, vocês podem reservar dez minutos para chegar, meia hora para ler e mais dez minutos para quem quiser conversar. Cada pessoa leva seu livro. Se o encontro for ao ar livre, combinem um ponto fácil de achar e um plano para o caso de chuva. Se preferirem conversar sobre um texto em comum, escolham algo que todas consigam obter e ler no prazo, como um conto disponível legalmente ou um livro que a biblioteca tenha em mais de um exemplar.

Um convite pode ser assim:

Vamos ler juntas no sábado? A ideia é passar meia hora no parque, cada uma com o livro que quiser. Depois, quem tiver vontade pode ficar um pouco para conversar. Se chover, a gente combina outro dia.

Ao final, façam uma pergunta prática: “O que faria esse encontro caber melhor na nossa rotina?” Talvez o sábado seja ruim, mas uma manhã por mês funcione. Talvez vocês tenham gostado de ler em silêncio e queiram deixar a conversa para outro dia. Se ninguém quiser assumir a organização toda vez, dá para revezar quem confirma o local ou escolhe o próximo texto.

Deixe a conversa ter o tamanho que ela quiser

Uma história pode tocar em fé, escolhas ou perguntas sobre o sentido da vida. Se o grupo quiser explorar esses assuntos, há espaço para isso. Mas ninguém precisa contar a própria história para explicar por que uma passagem chamou a atenção. Às vezes, o melhor comentário de uma noite é simplesmente: “Eu não tinha pensado nessa personagem desse jeito.”

Talvez o que mais me atraia nesses encontros seja justamente poder começar pelo livro. A gente não precisa ter uma grande coisa para dizer, nem saber de antemão se vai nascer uma amizade. Pode levar a leitura que já estava na cabeceira e ver como é dividir aquele tempo com outras pessoas.

Se quiser pensar em outras formas de conhecer pessoas a partir de interesses em comum, leia também Novas amizades depois dos 40: como abrir espaço para outros vínculos.

Se a ideia te deu vontade, escolha um livro que você já tem e convide alguém para ler com você por meia hora. Pode ser num banco de praça, numa biblioteca ou numa chamada. Depois do primeiro encontro, vocês decidem se querem marcar o próximo.

Viviane Lyrio

Viviane Lyrio

Sou Viviane Lyrio, fisioterapeuta e mulher 50+. Depois de atravessar o câncer de mama, a menopausa, o divórcio e outros recomeços, criei o Fase Plena para compartilhar experiências, informação e acolhimento. Escrevo sobre saúde, autocuidado, relacionamentos e espiritualidade, unindo conhecimento e vida real para ajudar outras mulheres a viver essa fase com mais consciência e esperança.

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