FASE PLENA

“A vida muda. Você também. E ainda há muito por viver.” – Um espaço para compreender o que você vive, se reencontrar e descobrir os caminhos que ainda podem existir.

FASE PLENA

“A vida muda. Você também. E ainda há muito por viver.” – Um espaço para compreender o que você vive, se reencontrar e descobrir os caminhos que ainda podem existir.

Espiritualidade & Propósito

O silêncio interior desaparece antes de você perceber que se perdeu 

Silêncio interior, para mim, é ter espaço para perceber o que estou sentindo antes de responder a tudo o que pede minha atenção. Não significa ficar sem pensamentos ou encontrar uma resposta imediata. Às vezes, começa apenas deixando o celular de lado e permitindo que uma pergunta fique um pouco sem resposta. 

Uma mensagem chega. Você abre para responder e, quando percebe, já viu um vídeo, leu uma notícia e encontrou mais uma orientação sobre como deveria cuidar do corpo, trabalhar ou organizar a vida. 

Depois vem outro compromisso. Outra conversa. Outra coisa para resolver. 

O dia termina cheio de informações, mas pode faltar um momento para entender como você está. 

É desse silêncio que quero falar. 

Não da ausência de som. Dá para estar num lugar quieto e continuar com uma discussão inteira acontecendo na cabeça. Também dá para encontrar uma pequena pausa ouvindo o movimento da rua ou a água correndo. 

O que tenho procurado na minha caminhada é esse intervalo em que consigo prestar atenção antes de seguir respondendo. 

Quando até a pausa vem acompanhada de informação 

Celular virado para baixo e caderno fechado sobre um banco de parque.

Há conteúdo bom na internet. Aprendemos, encontramos apoio e conhecemos possibilidades que talvez nem soubéssemos que existiam. 

Mas nem todo momento precisa ser preenchido. 

A caminhada pode ter um áudio. A refeição, um vídeo. A espera, uma sequência de publicações. Até o descanso pode virar uma oportunidade de aprender mais alguma coisa. 

E então fica difícil perceber a diferença entre estar descansando e apenas trocando de estímulo. 

Não acho que a solução seja abandonar tudo ou passar a viver desconectada. Para muitas de nós, o celular também é ferramenta de trabalho e contato com a família. 

A pergunta que vale fazer é menor: existe algum momento do meu dia em que não preciso receber, produzir ou responder nada? 

Antes de procurar outra opinião, posso entender qual é a minha dúvida? 

Às vezes, buscamos uma resposta sem ter conseguido formular a pergunta. 

Assistimos a um vídeo sobre relacionamentos, depois a outro sobre propósito, depois a um sobre menopausa. Cada um parece explicar alguma coisa. Mas, ao terminar, podemos continuar sem saber o que precisamos decidir. 

Penso que uma pausa pode começar aí. 

“O que está me preocupando de verdade?” 

“Preciso de informação ou estou procurando alguém que decida por mim?” 

“Estou tentando resolver algo agora porque é urgente ou porque está difícil suportar a dúvida?” 

Essas perguntas não eliminam a necessidade de orientação. Há situações em que precisamos de conhecimento técnico, acompanhamento ou uma conversa com alguém de confiança. 

Mas podem ajudar a buscar o apoio certo, em vez de continuar acumulando opiniões que apontam para todos os lados. 

Discernir também é separar sentimento, interpretação e fato 

Posso sentir medo e ainda não saber exatamente o que esse medo significa. 

Posso ficar incomodada com uma conversa e precisar entender melhor o que aconteceu. Posso desejar uma mudança e, ao mesmo tempo, ter receio das consequências. 

Na minha caminhada, tenho aprendido a não exigir que a primeira sensação venha acompanhada de uma conclusão. 

Uma pergunta que considero útil é: 

“O que eu sei, o que estou imaginando e o que ainda preciso esclarecer?” 

Se alguém não respondeu a uma mensagem, por exemplo, o fato é a ausência de resposta até aquele momento. O significado que atribuo a isso pode envolver expectativas, experiências anteriores e possibilidades que ainda não confirmei. 

Reconhecer essa diferença não torna o sentimento menos importante. Apenas me dá uma chance de escolher o próximo passo com mais cuidado. 

Também não significa ignorar atitudes concretas que machucam. Uma pausa serve para observar melhor, inclusive quando algo precisa de limite ou ajuda. 

Como eu percebo a diferença entre intuição e impulso 

Na minha experiência, algumas vontades chegam com uma pressa enorme. Quero resolver, responder ou acabar logo com o desconforto. 

Outras percepções permanecem mesmo depois que passa a primeira reação. Consigo voltar a elas, fazer perguntas e considerar o que pode acontecer. 

Costumo chamar algumas dessas percepções de intuição. 

Mas essa é a forma como interpreto minha experiência. Não é uma regra para identificar o que está certo. 

Sentir paz não garante que uma escolha seja boa. Sentir medo também não prova que ela seja errada. 

Uma decisão importante pode trazer insegurança justamente porque envolve algo novo. E uma escolha conhecida pode parecer confortável mesmo quando já não faz bem. 

Por isso, procuro considerar também os fatos, meus valores, as consequências e as orientações de que preciso. 

Não quero usar a palavra “intuição” para encerrar uma reflexão que ainda merece cuidado. 

Onde a fé entra nessa pausa 

Mulher madura sentada em um pátio arborizado diante de uma pequena igreja.

A fé faz parte da maneira como procuro compreender minha vida. 

Quando penso em ouvir a voz de Deus, falo de uma experiência de oração e discernimento. Muitas vezes, percebo essa direção de forma discreta: uma reflexão que permanece, uma passagem bíblica que me faz rever uma atitude ou uma conversa que abre outra possibilidade. 

É assim que eu vivo e interpreto minha fé. Não como uma fórmula que todas as pessoas precisam experimentar da mesma maneira. 

Também não considero que todo pensamento que aparece durante uma oração seja uma orientação de Deus. 

Para mim, há espaço para perguntar, esperar e reconhecer que ainda não entendi. Posso orar e também buscar informação, ouvir uma pessoa de confiança ou procurar acompanhamento profissional. 

Minha fé não exige que eu tenha certeza de tudo. 

Às vezes, a oração pode ser simples: 

“Deus, me ajuda a olhar para isso com honestidade e a entender qual é o próximo passo possível.” 

Uma pausa de três minutos para experimentar 

Você não precisa começar com uma prática longa. Aqui vai uma proposta breve, sem a obrigação de alcançar calma ou descobrir uma resposta. 

Primeiro minuto: interrompa a entrada de informação 

Se for possível naquele momento, deixe o celular fora da mão e silencie notificações que não precisam ser atendidas. 

Sente-se ou fique numa posição confortável. Você pode manter os olhos abertos e respirar normalmente, sem forçar. 

Segundo minuto: perceba onde você está 

Observe alguns detalhes ao redor: uma cor, um som, o contato dos pés com o chão. 

Se perceber que voltou para uma preocupação, apenas reconheça e retome a atenção ao ambiente. 

Terceiro minuto: escolha uma pergunta 

Pergunte a si mesma: 

“O que está pedindo minha atenção agora?” 

Se ajudar, anote uma frase. Pode ser “preciso descansar”, “preciso esclarecer uma informação” ou “não preciso responder isso hoje”. 

Você também pode terminar com uma oração, se fizer sentido para sua fé. 

Essa proposta não é um teste nem um protocolo de tratamento. É uma forma simples de experimentar uma pausa. 

Para conhecer práticas de manejo do estresse, a OPAS/OMS disponibiliza o guia “Faça o que importa em tempos de estresse”, adaptado para o Brasil. O material apresenta exercícios de atenção e outras habilidades para lidar com situações difíceis. Organização Pan-Americana da Saúde 

A pausa não precisa virar outra cobrança 

Se ficar quieta não trouxer alívio, você não falhou. 

Pode ser mais confortável caminhar com atenção ao caminho, fazer uma atividade manual ou conversar com alguém. Não existe obrigação de gostar de silêncio absoluto. 

Também vale lembrar que uma pausa não resolve falta de apoio, sobrecarga ou um problema que precisa de ação concreta. 

Ela pode ajudar a perceber uma necessidade. Atender a essa necessidade talvez exija dividir tarefas, estabelecer um limite ou procurar ajuda. 

No artigo Vazio na menopausa: falta de propósito?, continuo essa reflexão sobre não precisar encontrar uma grande resposta para tudo e reconhecer quando o sofrimento merece acompanhamento. 

Você pode deixar uma pergunta descansar 

Nem toda conversa exige resposta imediata. Nem toda dúvida precisa ser resolvida antes de dormir. Nem toda opinião que aparece no celular precisa encontrar lugar na sua vida. 

Quando há tempo e segurança para esperar, você pode dizer: 

“Vou pensar e depois respondo.” 

Esse intervalo pode ser uma oportunidade de conferir uma informação, perceber o que sente ou escolher melhor as palavras. 

O silêncio interior de que falo tem muito a ver com isso: poder ouvir sem precisar absorver tudo e poder sentir sem transformar imediatamente cada sentimento em uma decisão. 

Um convite para continuar 

Se você deseja dedicar um momento à reflexão e ao cuidado pessoal, conheça meu e-book gratuito de reconexão e autocuidado, disponível aqui no Fase Plena. 

Você pode lê-lo aos poucos, respeitando seu tempo. 

Talvez hoje você precise de um pequeno intervalo 

Não espero encontrar todas as respostas quando faço uma pausa. 

O que procuro é uma chance de perceber melhor a pergunta, conversar com Deus e escolher o que fazer com mais atenção. 

Pode ser que a resposta venha depois. Pode ser que eu precise de ajuda. Pode ser que, por enquanto, só consiga reconhecer que estou cansada. 

Isso já é uma informação sobre o que preciso. 

Talvez você possa experimentar um pequeno intervalo hoje, sem transformar esse momento em mais uma tarefa para cumprir perfeitamente. 

Em qual parte do seu dia caberiam alguns minutos sem novas informações? 

Viviane Lyrio

Viviane Lyrio

Sou Viviane Lyrio, fisioterapeuta e mulher 50+. Depois de atravessar o câncer de mama, a menopausa, o divórcio e outros recomeços, criei o Fase Plena para compartilhar experiências, informação e acolhimento. Escrevo sobre saúde, autocuidado, relacionamentos e espiritualidade, unindo conhecimento e vida real para ajudar outras mulheres a viver essa fase com mais consciência e esperança.

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