FASE PLENA

“A vida muda. Você também. E ainda há muito por viver.” – Um espaço para compreender o que você vive, se reencontrar e descobrir os caminhos que ainda podem existir.

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“A vida muda. Você também. E ainda há muito por viver.” – Um espaço para compreender o que você vive, se reencontrar e descobrir os caminhos que ainda podem existir.

Saúde depois dos 40

Escape de urina depois dos 40: por onde começar a cuidar

Assistindo ao filme Minha Melhor Amiga, com Mônica Martelli e Ingrid Guimarães, vi o escape de urina aparecer de um jeito leve, com humor. E esse assunto não é distante da minha realidade.

Eu também tenho escapes. Eles aparecem ao espirrar e, quando estão mais acentuados, até ao me abaixar.

Aprendi os exercícios com uma fisioterapeuta pélvica e hoje uso um aplicativo para fazê-los. Uma coisa que percebo no meu caso é que, quando deixo de praticar, os escapes voltam.

Conto isso porque tem assunto que parece difícil de colocar em palavras, mesmo quando faz parte da nossa vida. A gente conversa sobre tantas mudanças do corpo, mas algumas ainda ficam escondidas, como se fossem motivo de vergonha.

O humor pode ajudar a abrir essa conversa. Depois da risada, porém, também precisa existir espaço para o cuidado.

Perder urina merece avaliação. Não é algo que você precisa aceitar simplesmente porque passou dos 40 ou entrou na menopausa.

E o primeiro passo não precisa ser uma lista enorme de mudanças. Pode começar com uma observação mais atenta e uma conversa com quem possa orientar você.

Quando um espirro vem acompanhado de um escape

Talvez aconteça quando você tosse, ri ou faz algum esforço. Talvez venha junto de uma vontade tão forte de fazer xixi que não dá tempo de chegar ao banheiro.

Essas situações podem ter explicações diferentes.

De forma simplificada, a perda relacionada a esforços, como espirrar ou levantar um peso, pode ocorrer na chamada incontinência urinária de esforço. Quando vem acompanhada de uma vontade súbita e difícil de adiar, pode estar relacionada à incontinência de urgência. Também existem situações em que esses padrões se misturam.

Reconhecer essas diferenças ajuda a contar o que está acontecendo, mas não permite fechar um diagnóstico por conta própria.

No meu caso, consigo identificar os movimentos em que os escapes aparecem. Essa é uma informação sobre a minha experiência, não uma explicação completa sobre a causa.

Por isso, em vez de pensar apenas “estou perdendo urina”, vale tentar descrever: “acontece quando espirro”, “sinto uma urgência antes” ou “começou a acontecer em situações em que antes não acontecia”.

Você não precisa conhecer termos técnicos para ser ouvida. Suas palavras já são um começo.

É a menopausa? Pode ter relação, mas não explica tudo

Quando alguma coisa muda depois dos 40, é fácil colocar tudo na conta dos hormônios.

A menopausa pode participar desse quadro, mas não é a única possibilidade. Gestação e parto, constipação, tosse persistente, infecções urinárias e algumas condições de saúde também podem estar envolvidos. Cada história precisa ser considerada.

Isso significa que duas mulheres da mesma idade, com uma queixa parecida, podem precisar de cuidados diferentes.

Também significa que não faz sentido ouvir um relato na internet e concluir que a mesma solução vai funcionar para você.

Eu compartilho o que acontece comigo porque acredito que conversar sobre o corpo pode nos aproximar. Mas faço questão de separar as coisas: minha experiência pode ajudar você a reconhecer uma situação e buscar orientação; ela não substitui uma avaliação.

Se quiser ampliar essa conversa sobre as mudanças dessa fase, leia também “Por que a menopausa muda tanto o nosso corpo?”, aqui no Fase Plena.

Por onde começar a buscar ajuda

Você pode levar essa queixa à equipe da sua Unidade Básica de Saúde, à ginecologista ou a um urologista. A fisioterapia pélvica também pode fazer parte do cuidado.

Não precisa esperar que a perda seja grande para mencionar o assunto.

Às vezes, o mais difícil é começar a falar. Se esse for o seu caso, uma frase simples pode ajudar:

“Estou tendo escapes de urina e queria entender o que pode estar acontecendo.”

Depois, conte quando começou, em quais situações aparece e se houve alguma mudança recente.

Segundo o NIDDK, instituto dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, a investigação dos escapes pode incluir conversa sobre o histórico de saúde, exame físico e exames escolhidos conforme a necessidade. Não existe um único exame que toda mulher precise fazer da mesma maneira.

Você também pode levar perguntas anotadas. Na hora da consulta, é comum lembrar de uma coisa e esquecer outra.

Algumas possibilidades:

  • O que precisa ser investigado no meu caso?
  • A fisioterapia pélvica pode ajudar?
  • Os exercícios que faço continuam adequados?
  • Como vamos acompanhar a evolução?
  • Em quais situações devo procurar atendimento antes do retorno?

Não é preciso chegar sabendo a resposta. A consulta é justamente um espaço para construí-la.

Uma prática simples: registrar para conseguir explicar

Antes da consulta, um pequeno registro pode ajudar.

Durante três dias da sua rotina habitual, anote os horários em que faz xixi, o que bebe e aproximadamente quanto, quando aparecem os escapes, se houve urgência e o que estava fazendo naquele momento. Esse tipo de diário ajuda o profissional a reconhecer padrões.

Pode ser no papel ou no celular. Não precisa ficar bonito.

Um registro poderia ser assim:

“De manhã, escape ao espirrar, sem vontade forte antes.”

Ou:

“No fim da tarde, vontade repentina e perda antes de chegar ao banheiro.”

A ideia não é passar o dia inteiro vigiando o corpo, nem se culpar pelo que comeu ou bebeu. É conseguir levar informações que, de memória, talvez fiquem confusas.

E não adie atendimento para terminar as anotações se houver algum sinal de alerta.

Mulher conversa com uma profissional de saúde em um consultório iluminado.

Os exercícios me ajudam, mas precisam fazer sentido para cada mulher

Eu aprendi os exercícios com uma fisioterapeuta pélvica. Hoje, faço usando um aplicativo.

Essa diferença é importante: houve uma orientação profissional antes do uso da ferramenta.

Um aplicativo pode ajudar a organizar a prática, mas não consegue, por si só, verificar se você está fazendo o movimento corretamente ou se aquele programa é adequado ao que está acontecendo com seu corpo.

As recomendações do NICE para incontinência urinária em mulheres incluem treinamento supervisionado dos músculos do assoalho pélvico como primeira opção de tratamento para incontinência de esforço ou mista, com um período inicial de pelo menos três meses. Isso é diferente de prometer resultado em poucos dias.

Por esse motivo, não vou deixar aqui uma sequência de contrações para todas repetirem.

O NIDDK orienta procurar ajuda para aprender os exercícios do assoalho pélvico corretamente e ressalta que eles não são apropriados para todas as situações. Também não recomenda praticá-los habitualmente interrompendo o jato de urina.

Se você sente dor, tem dificuldade para perceber o movimento ou não sabe se consegue relaxar depois de contrair, conte isso ao profissional.

Você não precisa insistir em algo só porque viu alguém dizendo que funciona.

Quando eu paro, percebo os escapes voltarem

Essa é uma observação que faço sobre mim: quando deixo os exercícios de lado, os escapes retornam.

Não conto isso para transformar o cuidado em mais uma cobrança. Nossa rotina já tem tarefas demais, e manter qualquer prática pode exigir ajustes.

Para mim, essa percepção é um lembrete de que preciso dar atenção a essa parte do corpo também.

Para outra mulher, a persistência ou a volta dos sintomas pode exigir uma revisão do plano. Não seria justo resumir tudo a “faltou disciplina”.

Se você já faz exercícios e continua tendo perdas, vale levar essa informação à consulta. Conte o que pratica, como aprendeu e o que percebeu ao longo do tempo.

Em vez de aumentar as repetições por conta própria, peça que o cuidado seja revisto. A pergunta pode ser simples: “isso ainda está adequado para mim?”

Pequenos cuidados na rotina, sem uma lista de proibições

Enquanto você busca orientação, alguns cuidados podem ser discutidos conforme os seus sintomas.

Evite reduzir a água por medo dos escapes. A quantidade de líquidos precisa considerar sua saúde, suas atividades e o clima; restringir a ponto de ficar desidratada não é uma solução.

Café e bebidas alcoólicas podem piorar os sintomas em algumas pessoas, mas isso não significa que toda mulher precise seguir a mesma lista de restrições. O cuidado com a constipação também pode fazer parte do plano. O NIDDK reúne essas possibilidades de tratamento e ajustes na rotina, destacando que a escolha depende do tipo de problema.

Observe o que acontece com você e converse sobre isso. Sair cortando alimentos, deixando de beber água ou testando várias soluções ao mesmo tempo pode tornar essa observação mais confusa.

Eu prefiro pensar nesse começo como uma organização do cuidado: entender o que está acontecendo, buscar orientação e escolher mudanças que tenham um motivo.

Não é necessário transformar toda a rotina antes mesmo de saber do que você precisa.

A proteção pode ajudar enquanto você cuida

Absorventes urinários e roupa íntima absorvente sobre uma bancada, ao lado de uma toalha.

Absorventes próprios para perdas urinárias e roupas íntimas absorventes podem oferecer proteção no dia a dia. São recursos de apoio, não um tratamento para a causa dos escapes.

Usar proteção não precisa ser motivo de constrangimento. E você também não precisa esperar o problema estar resolvido para buscar mais conforto.

Ao mesmo tempo, se passou a depender desses produtos ou percebeu que precisa trocá-los com mais frequência, essa informação merece entrar na conversa com o profissional.

O importante é que a proteção faça parte do cuidado, sem se tornar a única resposta para algo que continua incomodando.

Quando procurar atendimento sem adiar

Sangue na urina, ardência ou dor ao urinar precisam de avaliação. Se houver incapacidade de urinar, procure atendimento imediatamente.

Mesmo sem esses sinais, você pode buscar ajuda pelos escapes. Não precisa justificar o incômodo comparando sua situação com a de outra pessoa.

Se está afetando sua rotina, merece ser conversado.

Você pode começar com uma conversa

Falar sobre escape de urina com leveza pode abrir uma porta. Foi isso que me chamou a atenção ao ver o assunto no cinema: algo que costuma ficar escondido apareceu em uma conversa possível.

Aqui, quero contribuir para que essa conversa continue com informação e acolhimento.

Eu tenho minha experiência: os escapes ao espirrar, às vezes ao me abaixar, os exercícios que aprendi com uma fisioterapeuta pélvica e a percepção de que, quando paro, eles voltam.

Você tem a sua. Ela merece ser escutada com atenção, sem vergonha e sem uma receita pronta.

Se você se reconheceu neste texto, escolha um primeiro passo: anote o que está acontecendo ou leve o assunto à sua próxima consulta. E compartilhe este artigo com uma mulher que possa se beneficiar dessa conversa. Cuidar também começa quando a gente encontra espaço para falar.

Viviane Lyrio

Viviane Lyrio

Sou Viviane Lyrio, fisioterapeuta e mulher 50+. Depois de atravessar o câncer de mama, a menopausa, o divórcio e outros recomeços, criei o Fase Plena para compartilhar experiências, informação e acolhimento. Escrevo sobre saúde, autocuidado, relacionamentos e espiritualidade, unindo conhecimento e vida real para ajudar outras mulheres a viver essa fase com mais consciência e esperança.

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